Palavra da Presidente

Amazonvet 2021

São Luís, 27 de outubro de 2021.

Senhoras e Senhores, Bom dia!

É um grande prazer receber a todos os congressistas que estão acompanhando esta Solenidade por meio remoto e presencial!

Os eventos científicos constituem-se como fonte essencial na busca e apreensão de novos conhecimentos, reunindo profissionais ou estudantes de uma determinada especialidade para trocas de conhecimentos e experiências.

O que ganhamos para participar de um evento científico?

– Conhecer novas pessoas;

– Fortalecer o networking profissional;

– Aprender novos conhecimentos. É com esta finalidade que surgiu o Amazonvet. Evento técnico-científico de grande relevância, como uma das ações do programa de educação continuada para os profissionais das áreas da Medicina Veterinária e Zootecnia.

Este evento é uma excelente oportunidade para os profissionais participarem das palestras e apresentações de trabalhos científicos, em uma conexão virtual de plataformas digitais a unir as diversas áreas do conhecimento que juntas formam a ciência veterinária com o olhar no mercado de trabalho.

Vivemos momentos difíceis na história no nosso país. Crise sanitária, econômica, crise política, crise ética e moral! Esta situação reflete negativamente em todas as Instituições e na vida de cada um de nós, brasileiros e brasileiras. Neste contexto atípico, é exigido de cada um de nós, atitude, inovação, quebra de paradigmas, transparência nas nossas ações, firmeza nas nossas atitudes, criatividade para enfrentar os enormes desafios diários e a busca de parcerias.

Temos a clareza que vivemos num dos continentes mais desiguais de nosso planeta. É triste conviver com essa marca de campeões da desigualdade no mundo. Entre os muitos significados dessa desigualdade está a inevitável evidência que os modelos de desenvolvimento que adotamos não foram capazes de distribuir riqueza de forma mais justa.

Temos o dever de pensar em que grau a Medicina Veterinária e Zootecnia contribuem para a ampliação dessa desigualdade? Em nome da proteção do patrimônio zoofitosanitário criamos leis e uma infinidade de normas infralegais que buscam o máximo rigor em requisitos que determinem a qualidade e a segurança de qualquer produto ou serviço de interesse da saúde animal, independentemente da avalição do risco envolvido.

Em que medida a Medicina Veterinária e a Zootecnia que fazemos identifica e prioriza os campos da ciência que precisamos interagir com outras profissões para responder os anseios da sociedade e dá prioridade aos problemas mais críticos e, principalmente, usa os instrumentos corretos proporcionais aos riscos envolvidos?

Atualmente temos um quadro muito complexo de demandas sociais, diferente daquele de décadas atrás. Temos também uma demanda grande de incorporação rápida e crescente de tecnologia, inovações, de cuidados com perigos associados a pessoal, produtos e serviços que vêm dos cantos mais distantes do planeta, dos lugares mais heterogêneos. Temos uma demanda por maior transparência e participação social. E nós, Médicos Veterinários e Zootecnistas, temos de saber os limites da legítima participação e o excesso de influência e interesses particulares. Como dar esses limites?

Temos uma demanda por mais ética na gestão pública, de maior eficácia nas nossas ações, mais foco das políticas públicas e uma demanda de avaliação constante de nossas práticas. É uma nova situação que exige para sua compreensão uma nova base conceitual, mais complexa, que possa iluminar os agentes públicos. Essa nova situação exige uma interlocução com os diferentes poderes (legislativo, executivo e judiciário) e suas complexidades. Não poderemos entender a concorrência do mundo atual sem o auxílio da interdisciplinaridade!

Precisamos pensar sobre a eficácia de nossos modelos de fazer ciência e, principalmente de fazer gestão! Parece que estamos mais vulneráveis quando não agimos com planejamento inspirado no conhecimento da realidade. Então, neste quadro, como se articulam a Medicina Veterinária e o desenvolvimento?

Bem-vindos a este debate! Neste congresso, que como vocês sabem tem como temática: A Medicina Veterinária no Contexto da Pandemia da Covid-19, onde teremos uma rica programação científica composta por 36 palestras com a participação de renomados pesquisadores brasileiros e estrangeiros e, ainda, a apresentação de trabalhos científicos com os resultados de pesquisas realizadas no Maranhão, no Brasil e no mundo.

Desejo a todos um excelente evento!

50 Anos do Sistema: Uma Trajetória de Conquistas e Desenvolvimento.

São Luís, 28 de Outubro de 2018.

    O ano de 1968 representa um marco histórico para as profissões da Medicina Veterinária e da Zootecnia brasileiras. Neste ano, no dia 23 Outubro, foi sancionada a Lei 5.517 que criou a profissão da Medicina Veterinária e o Sistema CFMV/CRMVs e em 04 de dezembro, foi sancionada a Lei 5.550 que criou o exercício da profissão de Zootecnia.

    Foram muitos os ganhos nas inovações tecnológicas, na produção do conhecimento e em muitas outras áreas, mas ressaltamos os resultados que o Sistema teve no disciplinamento das profissões da Medicina Veterinária e Zootecnia, por meio da publicação de Resoluções e Normas pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária que, com muita responsabilidade e dedicação em defesa dessas duas profissões, fez nestes 50 anos. 

     Quero parabenizar a todos os colegas que fizeram parte desse meio século de muita luta e trabalho, mas também de muitas conquistas, como o melhoramento genético animal, principalmente na produção de frangos, novas tecnologias na produção de suínos e na reprodução animal, com a produção de embriões “in vitro”, a produção de vacinas recombinantes, dentre outras importantes conquistas.

​      Tivemos mais conquistas que perdas, no entanto, não podemos neste momento deixar de registrar a preocupação com a “invasão” de outras profissões nas áreas de atuação do Médico Veterinário e a desobrigação das atividades desse profissional em estabelecimentos que prestam serviços veterinários, como casas agropecuárias, banho e tosa e outros. Portanto, o momento é para comemorar, mas também para refletir sobre as discussões que precisamos colocar em pauta em defesa da inserção dessas duas profissões nos espaços que são das suas competências técnicas, em defesa da saúde e bem estar dos animais, da saúde pública e do meio ambiente.

​        Finalizo, ressaltando o meu imenso orgulho de fazer parte do Sistema CFMV/CRMvs. Parabéns ao Sistema CFMV/CRMvs!

Dra Francisca Neide Costa
Presidente CRMV-MA